A primeira edição da Revista Arquitetas Invisíveis, iniciativa de um coletivo feminino formado por cinco jovens arquitetas e urbanistas de Brasília, será lançada em abril deste ano. A publicação será possível graças ao envolvimento de 366 colaboradores que doaram recursos para a realização do projeto. O custo estimado era R$ 46.835. Porém, com a participação voluntária de simpatizantes foi possível atingir a marca de R$ 53.416, superando a meta estipulada.

 

“Estamos muito felizes pelo fato de termos atingido a nossa meta”, disse Lara Pita Vieira, uma das integrantes do coletivo Arquitetas Invisíveis. Ao longo de 60 dias, elas realizaram uma campanha pela Internet para angariar recursos e desenvolver o projeto. Entretanto, o valor foi superado devido à participação das jovens arquitetas, que desembolsaram uma quantia estratégica para, no último dia da campanha, completar a arrecadação.

 

Por isso o coletivo Arquitetas Invisíveis segue em busca de apoio para a primeira edição da revista. Interessados em colaborar podem fazer contato pelo e-mail arquitetasinvisiveis@gmail.com. A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) é um dos apoiadores já confirmados. “Acreditamos no projeto desde o início”, disse o presidente da FNA, Jeferson Salazar.

 

A publicação, que será composta por artigos, resumos, opiniões, notícias, entrevistas, charges, desenhos, poesias, crônicas e cartas, tem como objetivo valorizar e dar visibilidade à produção arquitetônica feminina, além de compartilhar conhecimento e reflexões para contribuir para o avanço das discussões de gênero no campo da arquitetura e áreas relacionadas. Para esta edição, já foram selecionados, por meio de edital, 30 trabalhos.

 

Com espaço para pesquisadores do Brasil e do exterior, a revista Arquitetas Invisíveis será anual e bilíngue – português e inglês. O objetivo é estreitar relações e colaborar para o intercâmbio entre diferentes grupos e regiões, além de fomentar pesquisas conjuntas e publicações coletivas, consolidando o papel da mulher na história da arquitetura e do urbanismo, assim como os núcleos de estudo nessa área.

 

Saiba mais sobre o Arquitetas Invisíveis

 

O Coletivo Arquitetas Invisíveis é uma ação que busca promover a igualdade de gênero dentro do âmbito da arquitetura e do urbanismo, por meio do reconhecimento e divulgação da vida e obra de arquitetas desprestigiadas pela história. Criado por estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, o objetivo é incitar a discussão sobre gênero no meio acadêmico e profissional.

 

Uma das motivações do coletivo Arquitetas invisíveis foi a “inquietação” gerada pelo fato de que no ambiente acadêmico os referenciais teóricos de obras estudadas são todos masculinos. “Começamos a nos questionar aonde estavam estas mulheres e o que estavam fazendo”, recorda Lara.

 

O insight ocorreu há dois anos, quando o grupo começou a se organizar para discutir o tema e a montar uma exposição que inicialmente reuniu a história e a obra de 26 mulheres arquitetas e urbanistas. Depois, o acervo foi ampliado para 48 nomes e, em homenagem ao Dia da Mulher, ganhou destaque especial no site Archdaily.